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		<title>(English) New York Times: Vik Muniz: ‘Pictures of Magazines 2’</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Apr 2016 20:58:22 +0000</pubDate>
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		<title>(English) C Photo: A Local Triumph</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Apr 2016 20:48:14 +0000</pubDate>
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		<title>(English) New York Times: At M.I.T., Science Embraces a New Chaos Theory: Art.</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Apr 2016 20:25:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vik Muniz Studio]]></dc:creator>
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		<title>Jacaranda Magazine: Conversation with Vik Muniz</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Feb 2016 17:37:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vik Muniz Studio]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Interviews]]></category>
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		<description><![CDATA[Conversation with Vik Muniz &#8211; November 16, 2015 Jacaranda Magazine No. 2 *Luisa Duarte LD: Como começou o projeto da Escola do Vidigal? VM: Esse...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Conversation with Vik Muniz &#8211; November 16, 2015<br />
Jacaranda Magazine No. 2<br />
*Luisa Duarte<br />
</br></p>
<p align="justify">LD: Como começou o projeto da Escola do Vidigal? </br><br />
VM: Esse é um projeto antigo que na verdade temmuito a ver com o processo de reaproximação minha com o Brasil. Eu continuo morando em NY, mas durante 30 anos eu fiquei seguidamente lá. E agora passo mais tempo no Brasil. Fui para NY com 21 anos, então fiz minha carreira em NY. Eu saí do Basil um menino que se criou na periferia de São Paulo, filho de garçom e de uma telefonista e voltei um artista plástico que por conseqüência da profissão tinha que lidar com colecionadores, intelectuais, diretores de museus, curadores… Um tipo diferente de pessoa do que aquelas com as quais eu me relacionava enquanto eu estava aqui. Então meu choque foi um pouco forte porque existem contrastes sociais marcantes no país e ao mesmo tempo esses contrastes sociais e econômicos tendem a criar tendências de comportamento. Uma coisa que eu me lembro de ter me marcado muito é a maneira como os meus pais se relacionaram com a coisa de eu ser artista plástico. Eu lembro de vê-los em um vernissage na Raquel Arnaud no começo dos anos 1990 e eles estarem sendo confundidos com o pessoal que estava servindo bebida. Para o meu pai era fácil pois ele foi garçom a vida inteira, não era nenhum problema, mas eu lembro que eles estavam completamente deslocados, fora do contexto e assim eu comecei a ver toda uma realidade através dos olhos dos meus pais que é muito pertinente a situação da maioria dos brasileiros em relação a arte contemporânea.</br><br />
LD: Vista como um universo muito distante</br><br />
VM: Não, é galáctico, algo que não existe. Eu mesmo demorei a saber como me relacionar com esse tipo de coisa, eu não sabia qual camisa vestir em determina-das ocasiões.</br><br />
LD: Até que tempo foi isso?</br><br />
VM: Eu levei uns cinco, seis anos nesse processo de adaptação, digamos. Durante os anos 1990 tinha uma grande revolução na arte Americana que aconteceu ao mesmo tempo com o meu trabalho. Já no fim dos anos 1980 eu comecei a trabalhar como artista pois eu vi ali uma abertura de pensamento que tinha muito a ver com minha formação. Era interessante, eu desenhava, mas o meu trabalho tinha a ver com arte comercial, eu queria mexer com um tipo de atividade intelectual que acolhesse a questão da mídia. Eu não sabia porque tinha essa coisa de hi and low, cru e cozido. Eu achava que tudo fazia parte do mesmo pacote, tanto que sempre admirei um trabalho como o do Paul Rand por exemplo, que é um grande designer. Eu via nele o equivalente a Andy Warhol. Esse tipo de trabalho possui um efeito dentro da cultura e da sociedade tão grande quanto o dos grandes artistas. Mas mesmo as-sim muitas vezes a maneira como isso acontece coloca eles numa posição inferior. Talvez eu faça parte da primeira geração de artistas completamente expostos a mídia eletrônica, no caso a televisão. É tanta informação que você acorda e não sabe se sonhou com uma coisa que você leu, se você viu num filme, seu imaginário está todo misturado dentro dessa complexidade holográfica que é esse es-paço entre o midiático e o real. O homem contemporâneo vive uma grande ansiedade por conta dessa falta de um lugar fixo. Eu comecei a ver essa ansiedade ser compartilhada pelos intelectuais da minha geração no momento em que nos meados dos anos 1980 eu passei a frequentar as galerias do East Village e nessa época vi um trabalho, por exemplo, da Cindy Sherman, da série Still Life. Ninguém nunca precisou me explicar o trabalho dela. Cindy Sherman estava fazendo uma mediação entre o seu lugar físico e o seu lugar no universo da mídia, do desejo. Quando você vê um filme você está sempre chorando ou se emocionando com o que está acontecendo com aquele personagem, você está sem-pre criando uma ponte entre o pessoal e esse elemento universal que existe que é propagável, comum.<br/><br />
LD: Me fale um pouco das diferenças existentes entre o Brasil e NY justamente nessa época, a década de 1980, sob o seu ponto de vista..<br/><br />
VM:Quando eu comecei, o Brasil estava começando a sair de uma ditadura militar, eram momentos políticos diferentes, os EUA estavam quase com uma reavaliação de toda idéia da política da cultura de consumo. Os países tinham preocupações distintas naquele momento. Tanto que essa coisa de apropriação, um nome como o de Sherrie Levine por exemplo, é o tipo de arte que no Brasil não teve repercussão nenhuma. O brasileiro não se identificou com Jeff Koons, com Cindy Sherman. Obviamente depois as pessoas assimilaram, mas isso foi posteriormente. E no Brasil acontecia uma outra geração de artistas que tentavam recuperar um pouco mais da interação com o material, com muita liberdade, o igualmente me interessava muito.</br><br />
LD: Era o tempo que se seguia à ditadura militar e o país mirava novamente a democracia&#8230;</br><br />
VM: Exato, por isso havia também uma coisa de se libertar um pouco da arte que tinha um viés funcional e político. As investigações eram muito interessantes nesse sentido, principalmente no caso do Ernesto Neto, da Beatriz Milhazes, do Luiz Zerbini, do Daniel Senise&#8230;. Eu gostava das duas coisas, do que se fazia nos EUA e do que se fazia aqui. A minha geração é a geração do escracho, é a Blitz, o Asdrúbal Trouxe o Trombone&#8230; A gente não estava mais afim de ouvir falar em política.</br><br />
LD: Em que ano exatamente você saiu do Brasil? </br><br />
VM: Eu saí daqui em 1981, mas em 1978, uma coisa que marcou muito minha formação foi a peça “Trate-me Leão”. As primeiras vezes que eu vi as montagens do Asdrúbal foram transformadoras, e tinha ainda o “Manhas e Manias”, outros grupos teatrais&#8230; O teatro me formou nessa época.</br><br />
LD: Você vinha ao Rio então&#8230;</br><br />
VM: Vinha, eu vim ao Rio a primeira vez para ver um espetáculo do Asdrúbal Trouxe o Trombone no Circo Voador. Estavam ali Perfeito Fortuna, o Hamilton Vaz Pereira, a Regina Casé, foi aí que eu conheci o Leonilson, eu conheci o Zerbini também ali. Eu nunca pensei que eu fosse me tornar um artista plástico nessa época. A primeira pessoa que falou pra mim que era artista plástico foi o Leonilson, o Zé chegou e disse: eu sou artista plástico. Ninguém nunca tinha falado isso pra mim, era a mesma coisa que a pessoa dizer assim: eu sou astronauta.<br />
Era uma turma mais focada na mecânica da representação, na mecânica do teatro, nos recursos disponíveis, você poder criar com uma economia, o que era lindo disso é que era uma economia de recursos cênicos e dramáticos mas que envolvia o público de uma forma criativa. Bastava colocar uma fileira de baldes azuis com água e havia ali um rio.<br/><br />
LD: Como você toda essa sua formação influenciou nesse gesto de criar uma Escola para crianças no Vidigal? O que te fez dar esse passo<br/><br />
VM:Existem certos momentos da vida em que a maré começa a voltar, então você que sempre se viu como um consumidor de um tipo determinado de cultura, de uma forma passiva, quer dizer, a cultura de uma outra geração que está sendo passada para você, chega um momento onde você começa a perceber a sua geração produzindo cultura de forma relevante e, chega uma hora que você percebe uma geração nova que está vin-do depois de você. Assim eu me nxergo hoje tendo uma responsabilidade, eu tenho um papel de protagonista que também é o de continuar informando gerações por vir, pois eu sou detentor de uma informação que essa geração não tem&#8230; Ou seja, eu possa ser usado&#8230;<br />
O perfil da Escola acabará tendo haver com a minha formação de alguma maneira. Enquanto as pessoas no meio de arte estavam lendo Merleau Ponty e Adorno eu estava lendo Frederic Jamason e Marshall Mcluhan. Eu sempre gostei de qualquer coisa relacio-nada a percepção mas a minha bíblia era MCluhan, até hoje o livro mais importante que eu li em termos profis-sionais foi o “Understanding Media”. Tanto que no meu Instagram eu uso esse termo estudante de mídia como o próprio MCLuhan se refere ao leitor. Eu acho issotão legal, eu falei, “eu vou ser sempre um estudante de mídia”.</br><br />
LD: Mas como é que isso se relaciona com a Escola e a sua volta para o Brasil?</br><br />
VM: Eu só comecei a achar minha maneira de vol-tar pro Brasil através de um projeto que eu fiz em 1999 que se chamava “The Quiet in the Land” com a France Morin e era um projeto que tinha a Janine Antoni , o Michael Cheng&#8230; e era um grupo de artistas que ficava em Salvador trabalhando com o projeto Axé. Eu fiquei em Salvador uns 3 meses trabalhando com um grupo de crianças de rua. Minha identificação com essas crianças foi como um portal que eu descobri pra me reconectar com a minha cultura. Na verdade eu descobri que eu tinha que alimentar esse menino pobre que eu tinha deixado aqui quando eu saí no começo dos anos19 80. Eu me lembro que escolhi trabalhar com as crianças menores, porque eu achava que era mais importante causar um impacto o mais cedo possível pois aquilo iria ter uma consequência maior pois se expandia. Que nem quem faz tricô, quando você faz um erro aquilo cresce. Assim, quando eu comecei a vir pro Brasil com mais frequência no começo dos anos 2000 eu comecei a sempre pensar em estar associando um trabalho artístico e alguma atividade social para justi-ficar um pouco tudo que eu fazia, como uma maneira de ter um equilíbrio. Eu sempre trabalhei com jovens adolescentes mas o que eu sempre quis fazer é começar a tentar influenciar seres humanos logo no começo, desde crianças. O que eu sinto é uma necessidade de me envolver com grandes questões contemporâneas, uma delas é o meio ambiente, que eu fiz através do Lixo Extraordinário, eu estou começando a me envolver com migração pois eu já fui um imigrante ilegal e isso é uma coisa que me toca profundamente e outra coisa é educação. Eu acho que educação é o motor da cultura, é o que faz a cultura não só se preservar mas também se transformar. Educação é não só o que move, é o que dirige a cultura. Na educação talvez resida a solução para todas as coisas que afligem o homem contemporâneo. No fundo no fundo, problemas ambientais você pode resolver com educação, problemas sociais podem ser resolvidos com educação. A gente não está forman-do um homem melhor, a gente está formando pessoas mais eficientes do ponto de vista egoísta da sociedade contemporânea. Hoje o que a educação tem como interesse primário dentro dessa sociedade é formar consumi-dores, o que a escola faz hoje em dia&#8230; ela cria especial-izações absurdas, você faz uma coisa só e você deseja tudo. É incrível o equívoco. O ideal humano que eu imagino, ou que eu sigo, é um homem completo, um homem que é interessado por tudo, que tem interesses que vão em todos os sentidos, ele não está especializa-do em girar uma porca ou apertar um botão, ele tem um interesse completo pelo mundo.</br><br />
LD: Temos então que trabalhar para criar um mundo que acolha esse tipo de homem&#8230;</br><br />
VM: Sim, é isso. E a idéia da Escola vem daí. Hoje a gente está preparando gerações futuras para lidarem com ambiente midiático de 3 mil anos atrás. A ênfase é ler e escrever, é obvio que ler e escrever é super impor-tante mas num mundo completamente dominado por imagens &#8230;a gente tem assim que mudar isso&#8230;</br><br />
LD: Somos analfabetos no que toca a decifração de imagens. Desde que a gente acorda até a hora de dormir somos bombardeados por signos visuais e ainda muito pouco aptos a interpretá-los em toda sua complexidade&#8230;.<br />
VM: A gente desconhece a gramática visual, mas existe uma gramática. Tem uma ordem, obviamente as imagens são muito complexas, elas dão vazão a uma ambigüidade que é mais subjetiva mas existe uma gramática, existem pontos comuns no universo da imagem, pois do contrário a gente não estaria vendo a mesma coisa tendo a mesma imagem. Quando eu mostro uma imagem que para você e pra mim é a mes-ma coisa, a gente entende a mesma coisa pois existe uma linguagem ali dentro. Essa alfabetização visual ela é inexistente nas escolas. As crianças hoje estão aprendendo passivamente, elas tem uma atitude muito passiva em relação a sociedade. Elas estão consumindo imagem, do ponto de vista geral, a imagem do joga-dor de futebol, de basquete, do pagodeiro&#8230; E estão consumindo o que faz essa imagem ser distribuída, que é a mídia, a tecnologia. Estão consumindo imagem e tecnologia, mas de forma passiva. Eu lembro de con-sertar o meu fusca com uma cueca molhada em volta da bomba de gasolina porque eu olhei para aquele motor e eu consegui entender como ele funcionava. Hoje em dia você olha o motor de uma Range Rover por exemplo e você não tem idéia de como aquilo funciona, é tudo fechado, lacrado. Então a idéia da tecnologia como sendo uma coisa hermética, fechada somente dificulta ainda mais as coisas. Ela cria mais ansiedade em relação a ela. Como se falasse a todo momento: deixa isso para os especialis-tas. Acontece que a criança chega em casa ela tem um ambiente midiático muito mais eficiente e complexo, muito mais eloquente, dentro de casa do que na escola. Na escola ele tem o professor que tem um quadro e<br />
em casa ele tem a internet, o telefone, a televisão. E a maioria das crianças elas chegam em casa e a primei-ra coisa que fazem é ligar o desenho animado ou o videogame. Eu fiquei imaginando o que seria se essas crianças ao invés de chegarem em casa e jogarem um videogame, pois o videogame oferece um certo tipo de interatividade limitada, você interage com o programa, mas o programa você não fez, o desenho animado é simplesmente informação que você recebe, quer dizer; você não tem idéia de como é feito, agora se essas cri-anças tivessem experiência pelo menos temporária de como é feito um desenho animado, ou como de como é feito um videogame, bem cedo elas iriam começar a entender todas essas experiências que fazem parte da vida delas como um processo, uma construção. Aí está um dos maiores objetivos da Escola.</br><br />
LD: Eu gostaria de resgatar algo que você falou anteriormente, sobre como ter observado o primeiro contato dos seus pais com o meio de arte foi marcante para você. Em cima disso, gostaria de te perguntar justamente sobre essa convicção que permeia toda a sua obra de que a arte contemporânea é sim passível de ser apreciada e experenciada pelo maior números de pessoas possível, e não trata-se de uma ambiente hermético como muitas vezes se pensa.</br><br />
VM: O que existe é uma postura de repulsa ao público maior certas vezes, mas isso aí é totalmente uma postura. Todo artista faz qualquer exposição para o maior número de pessoas possível.</br><br />
LD: Mas não vamos ser hipócritas também ao dizer que não existe nenhum preconceito no mundo da arte, talvez mais especificamente no Brasil, quando se associa sucesso na mídia, sucesso de publico, à uma falta de credibilidade crítica&#8230;</br><br />
VM: É, eu acho que é uma coisa do Brasil.</br><br />
LD: No Brasil existe esse mal entendido?</br><br />
VM: É aqui existe mesmo. Eu acho que isso vem um pouco do que eu tinha falado antes. Os anos 1990 dos EUA não aconteceram no Brasil e isso tem uma influen-cia. Toda essa aproximação com esses filhos bastardos do Andy Wahrol começarem a aparecer e influenciar de uma forma imensa a cena da arte contemporânea americana. Estou falando de Richard Prince, de Martin Kippenberger. Um artista como Damien Hirst cuja obra principal é uma obra performática em relação ao mercado. Então eu acho que os artistas usam e abusam de todos os recursos possíveis disponíveis no ambiente da mídia e no Brasil isso não se deu dessa forma. A mídia aqui era o espaço dominante da cultura popular através da teledramaturgia, das novelas, assim associar sucesso popular e arte nunca foi fácil aqui. Eu sempre gostei de novela, eu acho que novela é um fenômeno único e exclusivo da nossa cultura e acho que talvez seja a maior manifestação de mídia interativa e não existe outra mídia de massa interativa porque a novela é interativa. Ela vai acontecendo a partir de índices, de tendências, existe uma conversa entre o escritor e o público que é constante. Caso vá perdendo ponto no ibope a nove-la vai tomando outros rumos, isso há muitos anos é assim. O que é interessante ver é que existe sim um pre-conceito muito grande com mídia de massa no Brasil e não é ruim, não é mal, é uma questão histórica. Outra característica típica do Brasil é o de depreciar o trabalho feito com as mãos. Há aí um ranço escravagista. O trabalho manual ele é feito por gente de outra casta, inferiorizada, ainda a gente associa a coisa de pegar na massa. Hoje eu tenho interesse em trazer gente de fora para dentro do meu processo de trabalho para me misturar mais com esse mundo. Isso é uma coisa que eu descobri recentemente.</br><br />
LD: Me dá um exemplo desse tipo de envolvi-mento.</br><br />
VM: Com Lixo Extraordinário foi assim. Trata-se de trazer gente que não necessariamente sabe nada sobre arte e trabalhar com eles em um projeto. Aquilo é tão elucidador, você começa a entender várias coisas sobre processos de trabalho, sobre o que você tira daquilo que você está fazendo e dá para aquele lugar, e vice versa. Pra mim isso é muito mais enriquecedor para o meu trabalho do que estar provando coisas para mim mesmo hoje em dia. Muitas vezes esse envolvimento acontece pois eu tenho uma coisa com injustiça que me incomoda. Cois-as que acontecem e eu fico sempre tentado inserir no meu trabalho. Algumas vezes eu não consigo ficar sem colocar. Uma delas por exemplo foi no barco “Lampedusa”, mostrado durante a abertura da última Bienal de Veneza. É impensável que a Itália tenha interrompido um projeto como o “O Mar é Nostro”, que foi elogiado por todo o mundo, pelo mundo inteiro, que salvou 140 mil pessoas, que acumulou uma quantidade enorme de inteligência sobre tráfico de seres humanos no Mediterrâneo, toda a indústria foi desmascarada. Por razões ditas econômicas se interrompe o projeto, como se nove milhões de euros mensais fosse muito caro para a comunidade Européia inteira. Isso é o que custa uma delegacia em Londres. Essa coisa de você ir para um outro lugar porque você não tem muito escolha&#8230; Eu tenho muito respeito. Eu tenho muito respeito por exemplo por gente que muda de sexo. Eu já conheci, eu tenho amigos travestis que eu acho assim, que coragem! Que princípios! Eu tenho respeito por essa coisa de você ser fiel e peitar uma mudança radical sabe, porque aquilo é teu e você as vezes coloca tudo em risco, abandona tudo. Eu abandonei tudo pra ir pros EUA porque eu não tinha muitas alternativas na época. Eu lembro que quando aconteceu aquela tragédia em 2013 de Lampedusa, com mais de 160 mortos num naugrafio, em pensei em fazer o barco e queria que ele fosse passear em Veneza para falar: olha o que aconteceu há um ano atrás, vai acontecer de novo&#8230;</br><br />
LD: Como foi a reação das pessoas em Veneza?</br><br />
VM: Uma semana antes de eu mostrar o meu alerta para o que poderia acontecer, aconteceu uma tragédia muito pior, foram 1.300 pessoas afogadas no período de dez dias. Então, aquilo que seria muito polêmico, acabou não sendo e acabou completamente eclipsado em relação a tragédia real que tinha acabado de acontecer. Eu achei terrível das duas maneiras pois você não precisa de uma tragédia para te fazer se lembrar da outra. E nesse momento eu já estava em contato com o pessoal do conselho italiano para refugiados e tentei fazer o melhor que eu podia fazer naquele momento. Agora estou tentando fazer um projeto para gerar fundos para construção e manutenção de escolas temporárias para crianças em campos de refugiados, tanto no norte da África como na Itália.</br><br />
LD: Você está articulando isso nesse momento?</br><br />
VM: Estou tentando articular. É assim, é engraçado também, por outro lado eu acho que o que eu tenho um pouco de receio é de uma arte política que ela não tenha o elemento capital atrelado a ela. Pensar que simplesmente falando de um determinado assunto você vai estar ajudando aquilo. Não é assim. Todos os meus projetos eles têm sempre um lado de produção de cap-ital. Arte é realmente uma coisa alquímica . Você tem uma idéia, você atrela aquela idéia a uma espécie de transformação material e aquilo tem um valor inacred-itável. E se aquilo acontece dentro de um contexto&#8230;</br><br />
Luisa: Você tem o poder de potencializar o efeito daquele gesto e faze-lo repercutir na vida de muita gente&#8230;</br><br />
VM: Sim. Se o que você fez tem vetores que são pre-cisos, você tem gente que se interessa naquilo, tem um problema que é compartilhado, de fato você potencial-iza aquela idéia de uma forma que você pode gerar uma quantidade enorme de capital. O Lixo Extraordinário teve isso e conseguiu não só ajudar as pessoas direta-mente como toda a associação dos catadores no Grande Rio e até como todos esse catadores que eram maisou menos 200 cooperativas se juntaram e começaram a fazer parte de um complexo sindical maior e com mais possibilidade de competição no mercado. Assim, todos os trabalhos que eu fiz, desde a Louis Vuitton, a abertura de novela com a Globo. O que é interessante é que todos esse projetos, todos eles sem exceção nen-huma, reverteram em algum tipo de ajuda econômicapara as pessoas que participaram, eu só ganho dinheiro vendendo fotos.</br><br />
Luisa Duarte: Essa sua sensibilidade para o mundo ao redor que ultrapassa o âmbito do meio de arte possui sem dúvida um forte lastro biográfico&#8230;</br><br />
VM: Uma coisa que preocupa muito a vida de um artista é a questão de ter uma família. Quando o meu primeiro filho nasceu foi justamente ele que me fez abandonar uma vida de empregos temporários e me dedicar a uma coisa só que foi fazer arte. Se o Gaspar não tivesse aparecido eu não teria me tornado artista. Hoje eu tenho quatro filhos e eu moro numa casa, eu tenho uma vida bastante normal e as vezes é uma fonte de preocupação, será que eu estou certo em ter uma família? Mas aí eu fico imaginando, é justamente essa perspectiva do homem normal que leva os filhos no colégio e tem uma vida relativamente regular isso me dá uma ótica do mundo sabe, no caminho da escola pra levar meus filhos, a reunião de pais e mestres que eu tenho que fazer, tudo isso coloca os pés no chão.<br />
</br><br />
LD: Existe alguma inspiração para o projeto da Escola que você lembre agora e possa contar?</br><br />
VM: Não é exatamente uma inspiração, mas eu lembro de um dia em que eu estava com o Hayao Miyazaki, o animador japonês. Eu o visitei um dia e ele me mostrou no topo da casa dele, que é fora de Tóquio, uns bichinhos com os quais ele brincava. Aí eu perguntei porque ele brincava com os bichos. Aí ele falou: eu tenho necessidade pois eu preciso me manter conectado com esse imaginário infantil, eu tenho uma escolinha que fica do lado do meu estúdio que eu visito. Ele que paga a escola e tudo e geralmente são todos os funcionários do estúdio Ghlibi que levam as criança lá, é um Day Care, uma creche. E ele visita a escola e ninguém sabe quem é ele, as crianças não sabem que ele é o dono do estúdio. Eles sabem somente que é um velhinho simpático que mora do lado. Foi aí que eu pensei assim, se eu não tiver uma escola eu vou ter que continuar tendo filho para permanecer próximo desse universo&#8230; Eu acho que vai sair mais barato ter a escola (risos). Então é uma escola na verdade para mim, para que eu continue a aprender com esse contato.<br />
</br><br />
LD: Não somente aprender mas também, como você disse, transmitir aprendizados da sua geração para uma outra que vem aí crescendo dentro de contexto completamente diverso&#8230;</br><br />
VM: Acho interessante pensar que a nossa talvez seja a mais importante de todas porque a gente con-seguiu criar ferramentas que nos fazem transcender o discernimento visual dos acontecimentos, dos documentos visuais. Então assim não existe mais possibilidade de você olhar uma imagem e dizer que aquilo aconteceu. Ela vai nos fazer retroceder até a invenção antes da fotografia onde você via uma pintura de uma batalha com Napoleão e você vai falar , ah aconteceu assim, é uma pintura. Então a gente vai ter que acreditar mais do que a gente acreditava na fotografia. É interessante que a fotografia existiu durante 180 anos como o único receptáculo da nossa história pessoal e coletiva. Sabe, a gente não pensou nunca que a gente ia ter que substituir isso por alguma outra coisa, e é insubstituível realmente. Nós não temos um outro formato para colocar na nossa história em forma de evidência visual e não vamos ter mais, vai acabar. Agente tem um vácuo de evidência visual no qual a nossa história vai ter que aprender a continuar existindo. Isso tem um efeito, essas técnicas que foram desenvolvidas no começo dos anos 1990, que é corel, photoshop, elas tem um impacto direto na evolução da história propriamente dita. A gente vai ter que criar&#8230;</br><br />
LD: métodos para lidar com a ambiguidade entre verdade, mentira, ficção </br><br />
VM: Mais do que criar uma versão da verdade, você tem todo o poder de criar a verdade que você quiser, isso aí tem muito mais a ver com a imaginação Não é uma coisa ruim porque na verdade o mundo está ficando cada vez mais como nós o pensamos. O Nelson Goodman que é um filósofo de Princeton, que tem muitos trabalhos em estética e ele tem um termo que eu adoro que é o worldmaking. Ele fala assim da fabricação do mundo, isso sendo uma atividade básica da mente consciente, que é a de fabricar mundos. E eu me baseio muito nisso. Nós estamos fabricando esses mundos mais e mais eficientes, cada um tem o seu, cada um constrói o seu mundo e o mundo, esse mundo, está virando a suspeita de uma grande imagem. A gente coexiste nessa suspeita de uma imagem que a gente compartilha quando na verdade elas são amalgamas de referência imagética que vão se acumulando ao longo de uma vida inteira. Estamos diante de um relativismo absoluto. Mas para você poder existir dentro de um caos tamanho, você vai ter que ter um discernimento muito grande, não só da história, de toda essa história da crença, mas da estória da fé nas coisas e também um aprimoramen-to essencial da relação entre a mente e a matéria. Isso que eu estava dizendo, o programa principal, de como o homem existe, e do desenvolvimento da consciência humana, ele ainda está fincado no projeto da arte, que é a evolução da interface entre a mente e a matéria.</br><br />
LD: Talvez traçando essas rotas a gente ainda possa ter algum parâmetro em meio a esse turbilhão de relatividade&#8230;</br><br />
VM: Acho que a gente vai conseguir algum tipo de direcionamento positivo. Eu dei uma palestra pro pessoal da Facebook que está completamente deslum-brado com as possibilidades tecnológicas e como isso está mudando o mundo&#8230;então ta, é bom pensar nisso mas é bom pensar que o mundo não é feito de informação. O mundo também é feito de informação mas ele é feito de coisas, ele é feito de coisas tangíveis , ele é feito de corpos, de mudanças, transformações, feito de perda de energia. O mundo é feito de processos que não acompanham a consciência na mesma velocidade que a informação. Eu acho que mudanças são fáceis de executar mas melhoras são mais difíceis. E quanto mais se muda menos planos você tem. A realidade é mesmo de curto termo, estamos vivendo num presente infinito. Esse presente onde você tem acesso inteiro, acesso direto e imediato a qualquer ponto do passado, ele impede até a formação de um futuro. Ele simplesmente não te dá direção.</p>
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		<title>(English) Blind Spot Magazine: Mirrors or &#8216;How to Steal a Masterpiece&#8217;</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Jan 2012 16:41:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vik Muniz Studio]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Articles by Vik]]></category>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>A tarde de domingo no Louvre &#8211; Eu não poderia escolher um dia pior para visitar um museu. Vagando, incapaz de decidir o que ver, eu estou arrastado pelo grosso fluxo de turistas para a ala Denon: O lugar onde a Mona Lisa trava. Na sala ampla, uma fila interminável é formado por aqueles que, por um segundo ou dois, vou compartilhar um momento de intimidade parcial com a pintura famosa. Quase todos na sala carrega uma câmera. Alguns nem sequer chegar a ver o trabalho com seus olhos nus: câmeras colados aos seus rostos, eles se aproximam tão perto quanto possível, tendo tantas imagens quanto a paciência do próximo na linha permite.<br />
<br />
O movimento contínuo da linha e sua clicando possui a aura de um evento cinematográfico estranho, em que cada quadro, depois de ter sido exposto, se afasta para um destino completamente diferente. Este desconstrutiva &#8220;cinema&#8221; traça perfeitamente a trajetória entre a sua imagem final imagem universal e para a interpretação pessoal (mesmo mecânica).<br />
<br />
Como um teste do olho, cada fotografia vai avaliar a relação entre fotógrafo e assunto. Centenas de milhares de fotografias são tiradas aqui todos os anos, e de fato o assunto sorri de forma diferente em cada um deles.<br />
<br />
Por causa de sua proteção reflexiva, é praticamente impossível para um fotografar a Mona Lisa sem fotografar a si mesmo. Uma impossibilidade que também pode ser entendida como a forma mais curiosa de auto-retrato<br />
.<br />
Ou literal ou metafórico, esta reflexão parece ser uma propriedade comum a tudo no museu. Em sua função unicamente visual (sem tocar, por favor) todos esses objetos e pinturas parecem contar com a presença do espectador para existir.<br />
<br />
Reflexão pode significar também a introspecção: Pensando em uma coisa particularmente com a noção de meditar sobre a experiência ou evento anterior e seu significado.<br />
<br />
Eu olho para mim mesmo no espelho e de repente eu vim a perceber que não só minha imagem, mas tudo o resto puramente visual, nunca pode evitar posando.<br />
<br />
Ambos os espelhos e os museus não são meros súditos, pois eles são a própria subjetividade. E o mesmo instinto neurótico que nos leva aos espelhos fotografia (o espelho pode dizer-lhe como você é, mas nunca é o que você é), leva-nos, em uma escala social, aos museus fotografia: A prisão desta convolução reflexiva (o mesmo que matou Narcissus), a metamorfose complicada do espectador para o voyeur.<br />
<br />
Não é a figura de sedução que é misterioso, mas que de um sujeito atormentado por seu próprio desejo ou a sua própria imagem.<br />
<br />
Jean Baudrillard, frescos memórias.<br />
<br />
Narciso sabia que ele nunca poderia ter si mesmo. Mas se ele tivesse uma fotografia talvez sua tragédia teria sido evitada.<br />
<br />
Fotografia permitiu que a sociedade ter-se através da desencarnação evanescente de seus próprios símbolos. Mais do que apenas uma cópia de cada pessoal Mona Lisa representa o roubo de uma fração de segundo, a forma (exclusivamente) vida visual do símbolo, um eco distorcido duas pessoas não podem ouvir.<br />
<br />
Ao fotografar o imutável, que sempre acabam com a mesma imagem. Mas ao fazê-lo mudar a ênfase do ato fotográfico do assunto para a nossa própria presença em relação a ele. Por alguma razão, isso me faz pensar Proibida a reprodução, uma pintura de Magritte, em que um homem aparentemente genérico olha profundamente em um espelho que estranhamente só reflete a parte de trás de sua cabeça.<br />
<br />
Fotografando o museu nem sempre foi tão genial e espontânea como costumamos vê-lo hoje. Quanto mais cedo a primeira metade do século XIX, os fotógrafos como a Talbot e Fenton já estavam a tomar suas câmeras (muito maior) para o museu, uma opção instintiva e técnica do assunto que acabaria por tornar-se prática frequente entre os principais fotógrafos ao longo da história da médio. Mas não foi até recentemente que a preocupação dos artistas para redefinir sua relevância social permitiria que o profissional sério para emprestar os olhos ea perspectiva de suas contrapartes instamatic.<br />
<br />
Por friamente categorizar estes espaços culturais com o mesmo olho firme da câmera de vigilância de segurança, fotógrafos como Hiroshi Sugimoto, Candida Hofer e Thomas Struff fazer o espectador oscilam entre sedução e alienação, a visão de um voyeurismo. Outros, como Louise Lawler e Olivier Richon colocar sua ênfase sobre os artifícios da representação e valor através de um vocabulário de elementos simbólicos e justaposição conceitual. Zoe Leonard, bem como Doug e Mike Starn, aumentar a distância entre a imagem e de eventos. Concentrando-se em assuntos que envolvem constantemente pose e mostrar, eles dão de volta seus súditos um sinal de objetividade material. Muitas vezes vincado e sem toque, suas impressões contraste do lugar comum do imaginário universal com a materialidade e presença do eu sobre o assunto.<br />
É um mundo onde qualquer pessoa pode tirar uma foto, fotografia arte sempre buscou a singularidade, alguns indescritível &#8220;momento decisivo&#8221; para definir-se para além do reino da snapshots drogarias. Desafiando essas chances, esta geração de artistas que se transformou a sua lente para o mais mundano de todas as disciplinas. Seja através de franqueza de artifício, os seus esforços notáveis ​​destacam-se como arte em si, algo que em breve será fotografada por um outro turista domingo.<br />
<br />
Vik Muniz texto originalmente publicado em Blind Spot, vol. II (1993)</p>
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		<title>(English) Bomb Magazine: Vik Muniz by Mark Magill</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Jan 2012 16:24:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vik Muniz Studio]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Interviews]]></category>
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		<description><![CDATA[Entrevista com Mark Magill para a Bomb Magazine, nº 73, outono de 2000. Vik Muniz pode ser chamado um fotógrafo, e fotografias são geralmente o...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Entrevista com Mark Magill para a Bomb Magazine, nº 73, outono de 2000.<br />
<br />
Vik Muniz pode ser chamado um fotógrafo, e fotografias são geralmente o produto final do seu trabalho. Mas, em outra época, ele poderia ter sido um alquimista, transformando chumbo em ouro. No caso de Vik, o chumbo foi substituído por luz. Ele é claramente um artista visual que manipula não só a luz como também os mecanismos de percepção que traduzem as mensagens transmitidas pela luz. Ele engana o olho a fim de revelar os truques que o próprio olho emprega, e como esses truques foram usados por “xamãs, padres, artistas e vigaristas” ao longo da história para evocar poder e crença. Vik trabalha com materiais rudimentares — açúcar, terra, corda, arame, calda de chocolate — para reconstruir imagens que guardamos num grande reservatório coletivo de memória visual. A qualidade de seus desenhos com estes materiais rudimentares revela um dom para trazer inteligência e humor ao lugar-comum — não muito diferente do gênio corporal de Charlie Chaplin ou Buster Keaton. Vik fotografa as imagens, e depois descarta os originais, de modo que ficamos com uma representação tentadora da ilusão que criou.<br />
<br />
Encontrei Vik Muniz para um café da manhã em seu imaculado estúdio no Brooklyn durante uma chuva torrencial. O dia estava sombrio e Vik admitiu sua antipatia pelo escuro, o resultado de uma brincadeira envolvendo esqui-aquático na qual acabou à deriva durante quatro horas no escuro, durante uma tempestade, antes que uma equipe de busca o encontrasse. Isso talvez ajude a explicar a sua paixão por luz, em todas as suas formas. Seu estúdio contém uma coleção intrigante de dispositivos ópticos da história da visão: stereópticos, pantógrafos com espelhos semi-prateados, microscópios, prismas e lentes. O estúdio é dominado por um impressionante tripé de uma câmera 8×10 polegadas, para a qual o próprio Vik projetou as lentes. Começamos falando sobre sua fascinação com óptica, truques e Buster Keaton.<br />
<br />
Vik Muniz: Eu sempre tenho vergonha desse meu fascínio com a mecânica, porque parece uma declaração machista. Buster Keaton disse certa vez que se não tivesse se tornado um artista teria sido um engenheiro mecânico. Eu compreendo isso, porque estudo Keaton há anos. Há algo sobre a mecânica de uma gag — quanto mais acidental parece, melhor o resultado. Keaton trabalha muito para criar algo que parece tão natural que poderia ter acontecido acidentalmente, e com isso fica mais próximo da vida, porque a vida tem este tipo de característica narrativa.<br />
<br />
MM: A característica do acidente.<br />
<br />
VM: Exatamente. Faço um monte de coisas que parecem acidentais. Porque isso também é o que torna algo interessante — que quase poderia ter acontecido por conta própria. Ao mesmo tempo, há toda a estrutura por trás daquilo. É um pouco como uma dançarina que faz um salto parecer fácil, mas que é o resultado uma tremenda inteligência física.<br />
<br />
MM: Como disse Shakespeare: “Há mais do que os olhos vêem.”<br />
<br />
VM: É como o casaco de pele na pintura “A Mulher e sua Empregada” de Vermeer, no Frick. Quando você chega perto não vê mais o casaco, apenas um borrão de pinceladas. Oscar Wilde costumava dizer que o mistério do mundo existe nas coisas visíveis, não nas invisíveis. Acho que arte, sem a pretensão de ser mais do que um exercício visual, pode realmente ser muito completa e poderosa. Fico bastante irritado com a “tematicidade” da arte contemporânea. Na minha opinião, não é o suficiente que arte seja sobre algo porque, de cara, arte deve ser sobre tudo ao mesmo tempo. Deve representar uma visão de mundo abrangente. Quando você olha para os retratos de Rembrandt, vê um artista que olhava para todo o seu mundo — está tudo lá. Acabei de ver um show em Londres de seus auto-retratos, e em cada retrato que você vê um mundo completo. É ao mesmo tempo simples e extremamente ambicioso. Rembrandt me faz querer ser um artista e, às vezes, me faz querer abandonar a profissão.<br />
<br />
MM: Você já ouviu essa teoria sobre os auto-retratos de Rembrandt, ele ele combinava os movimentos de músculos faciais de uma maneira que não pode ser replicada? Em outras palavras, sorrir e franzir ao mesmo tempo, de forma quando você olha seus olhos ficam presos entre os dois estados.<br />
<br />
VM: Isso é uma licença de história da arte, como a conversa sobre a Mona Lisa de Leonardo da Vinci e o uso da câmera obscura por Caravaggio. Mas é difícil confirmar isso. Rembrandt provavelmente pintou sem dar a mínima para todos esses pequenos detalhes. Existem coisas que você faz quando pinta que são automáticas.  Toda a informação flui de maneira que você não percebe ou controla; a visão é complexa demais para que tenhamos compreensão total do que estamos fazendo.  Um artista como Shakespeare não está olhando o mundo, ou mostrando o mundo; ele é o mundo. Ele está tentando tornar-se tudo e permear todas as esferas da subjetividade para que ele possa trazer tudo para você. O tema é  apenas um canal por onde a leitura flui. A gente se depara com essa verdade quando vê um Rembrandt e quando lê Shakespeare. A visão da arte deles é imensa. Olhar estas coisas faz a gente querer fazer arte. Acho que arte não começa sendo política ou conceitual, começa sendo arte. Quaisquer repercussões políticas ou conceituais que ela evoca vêm depois.<br />
<br />
MM: Temos arte há muito tempo, tanto tempo quando qualquer outra coisa, certo?<br />
<br />
VM: E quantas leituras diferentes já tivemos? Cada pessoa que observa cria significados distintos.<br />
<br />
MM: Existe um gene da arte? Que dá prazer para quem faz e para quem observa — para que a arte continue evoluindo?<br />
<br />
VM: A biologia é uma sempre uma boa metáfora. Talvez estejamos num tempo em que ciência e arte têm que olhar uma para a outra, não apenas como exemplos, mas para  que tenhamos uma compreensão comparativa de seus próprios modelos.<br />
<br />
MM: Como cientistas.<br />
<br />
VM: Experimento com essas coisas como um estudante de comunicação social. Estamos num ponto em que, para perceber um fenômeno, temos que mudá-lo, como colisões de partículas na física. O que mais podemos fazer sem contar da realidade concreta das coisas? A arte é tão importante quanto a ciência, porque se completam; uma é sobre o fenômeno, a outra é sobre a mente. Uma coisa é totalmente dependente da outra; é por isso que a ciência cognitiva me atrai tanto.  Quantos artistas passam suas vidas inteiras fazendo objetos visuais mas nunca pegaram um livro para estudar como o olho funciona? Eles nunca estudaram a física da luz para ver como a luz se comporta. Eles nunca compraram um prisma e o seguraram contra o sol, ou qualquer uma dessas coisas realmente simples. Eu sou um artista visual, não um conceitualista. Eu faço coisas que lidam principalmente com os olhos. Nesse ponto, sou totalmente antiquado.<br />
<br />
MM: A mente tem um grande papel no que o olho vê.<br />
<br />
VM: A visão é uma forma de inteligência, ainda mais do que a audição. Nossos olhos humanos não são tão bons quanto os olhos das aves ou de muitos outros animais. Em vez disso, temos um enorme córtex visual, dedicado apenas à análise de estímulos visuais. Esse é o nosso verdadeiro olho. Eu tenho uma teoria de que a inteligência evoluiu da nossa incapacidade de ver tudo em foco, o olho tem que se mover para ver as coisas e, ao fazer isso introduz um conceito de narrativa e atenção que é necessário para a formação de qualquer idéia complexa.<br />
<br />
MM: Na Idade Média, costumavam pensar que a percepção visual existia nos dois sentidos, ativamente projetada pelos olhos.<br />
<br />
VM: É o que chamavam de visão platônica. Platão achava que os olhos enviam um feixe de luz que de alguma forma ia de encontro às coisas. A visão platônica é interessante; não é assim que ocorre fisicamente, mas é como ocorre mentalmente. Você vê as coisas do jeito que quer vê-las.<br />
<br />
MM: Há um pouco de prazer nisso?<br />
<br />
VM: Reconhecimento é uma espécie de conforto. Ela confirma a sua capacidade de olhar para alguma coisa e analisá-la, mas também reforça a familiaridade. O que é bom, no entanto, é ser capaz de produzir esse sentimento acolhedor quando você reconhece alguma coisa e ao mesmo tempo ser capaz de subverter esse reconhecimento. Isso nos traz de volta para ao humor e o truque, como em Buster Keaton. Eu exagero o truque no meu trabalho porque quero engajar o espectador com uma imagem mecânica que é quase inevitável, onde o espectador vê não só a arte, mas também a visão do artista.<br />
<br />
MM: A transformação do sentimento parece importante. Você tem imagens como a explosão do Hindenburg ou o terrorista no telhado em Munique. A primeira vez que vimos essas imagens elas eram horríveis. Mas agora, ao vê-las numa galeria, o sentimento é inteiramente diferente.<br />
<br />
VM: Na realidade não. Basta apenas que sejam vistas sob outra ótica. Isso nos leva à idéia da cópia. Arte é basicamente cópia. Acredito mais em individualidade do quem em originalidade. Vejo uma linha direta de imagens da arte rupestre até o presente. Nós melhoramos nossas habilidades de cópia através de tecnologias, e através destes instrumentos de desenvolvimento podemos ver como evoluímos; o sujeito, com sua aura de originalidade, é apenas uma desculpa para copiar. Podemos traçar esse desenvolvimento, porque a introdução de um novo meio não destruí os meios anteriores, mas simplesmente os obriga a se adaptarem à uma nova realidade. Eu sou um artista muito tradicional, como desenhista e como fotógrafo, mas o encontro improvável desses dois meios é o que dá ao meu trabalho um caráter contemporâneo. O momento em que duas mídias se encontram é o momento da verdade, em que novas formas são criadas. Não é nada muito técnico. Em geral, prefiro trabalhar num nível muito low-tech. Há algo gratificante em usar meios muito básicos para produzir uma imagem. Eu não quero maravilhá-lo com os meus poderes e então enganá-lo. Quero torná-lo consciente de quanto você quer acreditar na imagem – quero que seja consciente do grau de sua própria crença, ao invés de minha capacidade de enganá-lo. Você vê, mas ao mesmo tempo vê como funciona. Já fui chamado de ilusionista, mas sempre me considerei um realista meio deturpado.<br />
<br />
MM: Quando você junta duas mídias, no seu caso fotografia e desenho, é quase como um acasalamento. Surge algo novo. Não é só mecânica de automóveis, onde você está consertando algo ou mantendo a mesma forma.<br />
<br />
VM: Bem, você ainda não viu conserto criativo de automóveis, como acontece em Cuba. Eles concertam motos com peças de metralhadoras, e por aí afora. Eu vi uma obra de Chris Burden na Europa, uma enorme estrutura robótica, que era usada para fazer aviões de papel. As pessoas ficaram lá horas, olhando a obra, indo de um ponto a outro.<br />
<br />
MM: Novamente por causa das narrativas?<br />
<br />
VM: Sim, porque a gente fica meio bobo esperando para ver o que vai acontecer. Essa é a beleza do vídeo “The Way Things Go”, de Fischli e Weiss. É a mesma coisa com shows de televisão sobre culinária ou melhorias de casa. Existem muitas linhas de narrativa, mesmo em fotografias, porque os olhos não param de se mover. Um exemplo, que as pessoas muitas vezes não percebem, é quando estão olhando para fotografias numa revista. A fotografia nunca é a mesma na segunda vez que você olha para ela. Faço fotografias para serem colocadas na parede, porque quero que as pessoas tenham uma relação física com imagem que não seja determinada pelo comprimento de seus braços. Eu não sou um artista tipo editorial. Eu gostaria que as pessoas caminhassem em direção a uma imagem para ver como ela muda na medida que se aproximam. Imagens têm significados diferentes dependendo da distância. Há sempre micro-narrativas em jogo. Num filme, não existe apenas uma história que vai do início ao fim. Há muitas pequenas histórias que compõem o todo, pequenas cenas em cada imagem.<br />
<br />
Para entender mídia, é preciso voltar para às formas mais básicas de arte. Acho que tudo começou como dois tipos de arte. Arte que tem origem em encarnação, como teatro, dança e música, e arte que é uma projeção gráfica, como desenho. Essas duas artes foram provavelmente desenvolvidas por xamãs primitivos. Eles sabiam que exerciam algum poder. Porque o xamã, como o mecânico, sabia criar algo que podia gerar crença. Um rei ou um chefe tem poder e sabe como usá-lo, mas não sabe como este poder é produzido. Esse é o segredo que os xamãs, mágicos, vendedores, vigaristas, e artistas possuem. De várias maneiras, continuo perpetuando a idéia de alguém que estuda os mecanismos do poder através da representação. Se há poder que vem de qualquer outra fonte, eu a desconheço. O poder vem da representação. E todos tipos de ação que tem uma certa continuidade narrativa se originam na compreensão da mecânica de representação. Em minhas foto, tento desacelerar o processo de percepção da imagem para que você realmente as veja como uma forma de narrativa.<br />
<br />
MM: Você desacelera para expor a máquina?<br />
<br />
VM: Sim. A razão de toda esse fascínio por coisas como o computador iMac é que você pode ver como funcionamento por dentro. Eu quero mostrar é que há uma máquina na parte de trás de sua cabeça. Não quero mostrar exatamente como funciona; quero que você tente adivinhar. Eu não sei como o iMac funciona por dentro. Posso olhar, sei que não vem de algum deus, e posso imaginar como funciona, mesmo que não compreenda tudo. Isso é uma parte importante do processo.<br />
<br />
MM: Mas então o que é essa tentativa de adivinhar? Soa quase como o que, em épocas anteriores, funcionava como teologia.<br />
<br />
VM: Não, não acho. Eles acreditavam. Não havia nenhuma adivinhação. Eles conheciam o poder de representação. Existem dois tipos de imagens visíveis. Coisas que são iluminadas e coisas que são luminosas quando a imagem é projetada diretamente no olho — produzido inicialmente em vitrais. Há beleza real nisso, porque luz é pura informação. Sou quase religioso a respeito da luz. Está tudo lá. Dividimos a luz, organizamos ela para que possamos entendê-la um pouco melhor. Podemos ver isso numa onda que é fragmentada, para que possamos entender as formas e tudo o mais que vemos, mas está tudo lá. Essa luz pura é a coisa mais próxima de Deus que podemos imaginar. Mas sempre precisamos de um humano para contar a história. Há sempre um trapaceiro que leva a mensagem dos deuses. Nas religiões africanas, há apenas um deus que pode realmente falar com humanos. Na mitologia grega, há Hermes, que pode vir e zoar com você. O santo, de certa forma, é um trapaceiro de sua própria espécie. Ele é o único que está além dessa luz pura, e sabe trabalhar a mecânica para que você possa compreender a luz; você é enganado pela luz, e ainda assim acredita. Ele é um criador de crenças. Nos vitrais das catedrais, temos a luz pura sendo projetada através da imagem de um santo nos olhos da pessoa que está embaixo. Hoje em dia temos a televisão, uma das formas mais recentes de luz que é projetada como a imagem de uma pessoa. No caso de apresentadores, temos alguém dizendo para você, através desta luz pura, tudo o que está acontecendo no mundo. Basicamente, é uma cabeça contando uma história. Por que mostram a mesma cara todo dia? Porque você reconhece, confia. Neste aspecto, os apresentadores são muito parecidos com santos. É preciso ser uma pessoa boa para ser um apresentador. Tente ser um apresentador que é pego cheirando cocaína! Já era. Eu amo conversas onde as pessoas discutem quem é seu apresentador favorito. É como discutir quem é seu santo favorito ou seu deus grego favorito.<br />
<br />
MM: Isso soa a uma mistura de ciência e crença, como alquimia.<br />
<br />
VM: Sim. Crença é uma grande parte disso. Os alquimistas diziam que podiam transformar chumbo em ouro, e por anos e anos as pessoas diziam que eles estavam errados. Mas acontece que estavam certos — é possível fazê-lo. Você só tem que mudar a estrutura atômica do chumbo, e você tem ouro. É possível fazer isso com um acelerador de partículas. Já fizeram.  Só que custa muito dinheiro.<br />
<br />
MM: O que  nos traz de volta a transformação.<br />
<br />
VM: Metamorfose de Ovídio é o meu livro favorito. Já o li várias vezes, praticamente todas as manhãs desde que tinha seis anos. Eu o mantenho ao lado da minha cama. Começa com uma frase linda: “Minha mente se curvou para falar de corpos transformados em novas formas”. Novidade não é nada senão uma espécie de esquecimento; tudo o que existe já existia em outra forma. Estou sempre olhando como uma coisa acaba ficando do jeito que fica. Crianças do Açúcar é um exemplo disso. Eu estava no Caribe quando eu vi esses filhos de cortadores de cana. Eles eram maravilhosos. Mas seus pais eram pessoas tão tristes, tão duras. Percebi que tiram a doçura das crianças ao fazê-las trabalhar nos campos. É um trabalho muito duro. Toda a doçura delas e acaba no nosso café. Então fiz desenhos delas com açúcar. Esse tipo de transformação me interessa.<br />
<br />
MM: O que aconteceu com as crianças do açúcar? Elas chegaram a ver essas fotos?<br />
<br />
VM: Claro. Nós mandamos as fotos para a agência de correio local. Crianças são muito importantes para mim. Fazem parte daquele grupo de pessoas que entende o poder, como magos e trapaceiros. Nascemos com tudo. Mas acho que esquecemos.<br />
<br />
MM: Graças à educação.<br />
<br />
VM: Sim. Quando a fotografia surgiu liberou a pintura da factualidade. Os artistas tiveram que dar um passo atrás e repensar o projeto da pintura para que ela pudesse continuar. Tiveram que recuar. Alguns seguiram para a psicologia, como Egon Schiele e Kokoshka, ou para o primitivismo, como Picasso. Alguns seguiram na direção de uma percepção infantil, como Dubuffet ou Miró. Outros começaram a olhar as imagens e analisar as pinceladas, como os impressionistas. Houve um movimento retrógrado da pintura em resposta à fotografia.<br />
<br />
MM: Que foi novamente separada em seus elementos.<br />
<br />
VM: Agora o fantasma da pintura voltou a assombrar a fotografia na forma da mídia digital. E a fotografia foi liberada da factualidade. A melhor coisa de ser um fotógrafo hoje em dia é que a fotografia não é mais crível, não prova nada. A maior razão para fazer algo artisticamente é que você não precisa fazê-lo de nenhuma outra forma; você faz porque quer. Estamos falando novamente de prazer. A fotografia não é vista como uma representação da realidade, como já foi o caso; é hora de parar e tentar entendê-la um pouco melhor. Como fazer isso? Você dá um passo para trás. Não em termos de psicologia ou voltar a uma percepção infantil — a pintura já fez isso. Mas o que os pintores não fizeram — é surpreendente que não o tenham feito — é revisitar a história do próprio meio. Acho que podemos fazer isto com fotografia. Hoje em dia o trabalho mais interessante é feito por pessoas que estão revisitando o meio, tentando entendê-lo, e depois fazem imagens muito simples e cativantes. Eles vêem algo que acham maravilhoso e se deixam cair na armadilha da própria imagem. Eles percebem que é simples e sabem como é feito. Fotógrafos estão voltando a fazer fotos sem câmeras, como Adam Fuss, ou fotos feitas com câmeras pinhole, como Barbara Ess, ou no meu caso, seguindo a idéia de desenvolvimentos gráficos. Comecei fazendo desenhos com arame. Depois usei materiais que pareciam gravuras feitas com barbantes. Eu segui para o grão da imagem fotográfica, a pixelização, os meios-tons, e todas as formas de representar uma imagem. Na medida em que me torno mais sofisticado na produção de uma imagem, fico um pouco arrogante. Cada vez faço algo um pouco mais difícil. Mas basicamente, na medida que vou evoluindo, estou sempre falando de coisas que são primitivas em relação aos meios técnicos de produção.<br />
<br />
MM: Quando você começou a falar em revisitar você mencionou as crianças.<br />
<br />
VM: Trabalhei com crianças tantas vezes, e cada vez aprendo mais. Estou fazendo um projeto em Salvador onde fui convidado para trabalhar com crianças de rua.  Há uma escultura de Giacometti chamado O Objeto Invisível, que é uma figura parecida com uma cabeça iorubá africana presa a uma moldura.  Ela está segurando um vazio. Está segurando nada. É uma escultura muito comovente porque fala sobre escravidão e desejo. Em Salvador há principalmente crianças negras. São muito pobres, mas são pessoas cultas. Conhecem todos os tipos tradicionais de dança e música, como tocar uma percussão e como sambar. Sabem os nomes dos deuses africanos e os rituais. Em contraste, os ricos só vão aos shoppings e compram roupas caras e importadas. Eu mostrei a imagem de Giacometti para essas crianças e elas sabiam que era cópia de uma imagem africana. Sabiam que estava segurando nada. E podiam se relacionar com esta imagem, feita por um suíço branco há quase um século. Eu desenvolvi uma série de exercícios com essas crianças, onde eu pedia para elas descreverem algo que queriam mas não podiam ter. O tempo todos elas vêem coisas na televisão e nas lojas. Elas querem essas coisas e se sentem infelizes porque são expostas a esses objetos de desejo.<br />
<br />
Então, eu inverti tudo. Pedi-lhes para realmente imaginar o que seria a coisa que segurariam em suas mãos, o que mais desejavam. Foi maravilhoso; imaginaram coisas como lâmpadas mágicas, um monte de dinheiro, um ursinho de pelúcia, um rádio. E então escreveram a respeito do objeto e se envolveram completamente na idéia da coisa. E depois desenharam o objecto — e eu sempre perguntava como queriam reproduzi-lo. E elas perguntavam se poderiam fazê-lo em cerâmica ou papel machê. E depois de fazerem o objeto e pintá-lo, eu pedia a elas para que o tocassem. Eu as filmei segurando seus objetos e depois retirei os objetos e pedi que o sentissem sem segurá-los. Está tudo no vídeo, e também tirei fotos. O trabalho de arte é composto de 22 fotos delas segurando objetos invisíveis e também fotos dos objetos. Você tem que adivinhar qual objeto está em qual mão.  Depois disso, pegamos os objetos e colocamos num saco preto que fechamos para sempre. Isso mostra o que você não pode ter, porque elas estão segurando os objetos em suas mentes mas você não pode tê-los. Elas sabem que as pessoas que vão a museus são exatamente o tipo de pessoa que está envolvida na produção e exibição de coisas que elas não podem ter. Dessa vez elas viraram a mesa e aprenderam a ser os produtores do desejo.</p>
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		<title>A Twisted Kind of Realist</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Jan 2012 12:49:00 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[by Tonica Chagas* Em suas duas novas séries, &#8220;Fotos de Revistas&#8221; e &#8220;Obras Monádicos&#8221;, Vik Muniz mais uma vez brinca com a percepção visual humana...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><i>by Tonica Chagas*</i><br />
</br></p>
<p align="justify">Em suas duas novas séries, &#8220;Fotos de Revistas&#8221; e &#8220;Obras Monádicos&#8221;, Vik Muniz mais uma vez brinca com a percepção visual humana para mostrar que &#8220;a imagem não pode ser nem o que está em uma parede, nem o que está em nosso cérebro, que pode ser bastante que está entre os dois. &#8221; &#8220;Fotos de Revistas&#8221; pretende lidar com o reconhecimento fisionômico através da mídia em muitos níveis e revela alguns dos sentimentos do artista sobre o novo perfil do Brasil, seu país natal. Em &#8220;Obras Monádicos&#8221;, como se traduzir a teoria do matemático e filósofo Gottfried Wilhelm Leibniz (1646 &#8211; 1716) sobre a natureza de todas as coisas do universo e os elementos básicos da realidade, ele cria imagens simples e bonitas, com a repetição de unidades engraçadas e às vezes perturbadoras.</br><br />
Observando minúcias em fotos publicadas em revistas e tablóides, Vik tinha uma pergunta que gira dentro de seu cérebro: o quão longe se pode visualmente quebrar a fisionomia de uma pessoa, reconstruir as características do rosto com pedaços de outras imagens, e ainda reconhecê-lo? Essas idéias ganharam forma em ampliadas retratos passaporte como de muito famosos, assim como brasileiros comuns.</br><br />
&#8220;Faces são constituídos de milhares de pequenas sutilezas que determinam o reconhecimento. Quando identificamos alguém através de uma imagem, temos a tendência para desenhar a partir de um perfil de características faciais generalizadas &#8220;, diz Vik. Esta desconstrução fisionômica foi re-promulgada em &#8220;Fotos de Revistas&#8221;, criando retratos com diferentes graus de reconhecimento. Eles são constituídos de milhares de peças de páginas de revistas cortadas com um buraco-perfurador e, em seguida, montados em mosaicos coloridos de acumulados e círculos sobrepostos. O resultado foi então fotografado e ampliado em grandes impressões. Cada retrato levou três semanas a um mês para completar.</br><br />
Concentrando-se na percepção, memória e ilusão, a obra de Vik subverte a nossa capacidade de reconhecer e leva o observador a imaginar se o que ele vê é um desenho, uma pintura ou uma escultura. &#8220;Fotos de Revistas&#8221; pode ser visto como uma série de desenhos pontilhismo. O fotógrafo escolhido para fragmentar as imagens em pequenas formas redondas para explorar o que a oftalmologia é chamado de &#8220;sacada&#8221;, o movimento rápido do olho a partir de uma posição para outra ainda no campo visual. Em estudos sobre a percepção visual, &#8220;sacada&#8221; é sempre representado por pontos individuais.</br><br />
Com &#8220;Fotos de Revistas&#8221;, Vik selecionado um panteão de pessoas que ele preza como seus heróis pessoais. Eles abrangem ambas as faces bem conhecido pelos brasileiros &#8211; como o escritor João Ubaldo Ribeiro, o &#8220;carnavalesco&#8221; Joãosinho Trinta, eo ícone do futebol Pelé &#8211; e pessoas comuns, o artista cuida. Entre eles, está Francisco, um homem idoso que vende flores no Rio de Janeiro restaurantes que acrescenta com finesse e delicadeza um ramo da &#8220;arruda&#8221;; (uma erva daninha de boa sorte), como tratar de seus clientes, ea manicure Luciana, que tem a enfrentar 30 milhas de trajeto duas vezes por dia para ir ao trabalho, mas sempre mostra bom humor.</br><br />
Vik revela que a idéia para a série surgiu após as eleições presidenciais do ano passado no Brasil. Pela primeira vez, um cidadão da classe trabalhadora &#8211; Luís Inácio Lula da Silva, que é um dos assistentes em &#8220;Fotos de Revistas&#8221; &#8211; foi eleito para o cargo com o maior número de votos na história. Este evento deu um grande impulso para a auto-estima brasileira e levou Vik, que esteve nos EUA nos últimos 20 anos, para examinar o novo significado de ser brasileiro.</br><br />
Feito de tais materiais inusitados como ketchup, fios, ou poeira coletadas de museus, fotos de Vik são truques, como ele mesmo diz, a revelar os truques que a nossa mente utiliza para reconstruir imagens que são arquivados em nossa memória visual. Através das imagens simples de &#8220;Obras Monádicos&#8221;, vemos sua destreza como desenhista e seu humor irônico, brincando com objetos tão pouco quanto tostões ou brinquedos de plástico.</br><br />
Em o trabalho de Vik no turno das forças escala o espectador a escolher se quer se concentrar em partes da imagem ou a imagem como um todo. Os elementos que ele usou para criar o &#8220;Small Change&#8221;, &#8220;Probabilidade&#8221;, &#8220;Rosa branca&#8221;, ou &#8220;Toy Soldier&#8221; são um pouco maiores do que aqueles empregados em sua série anterior. Eles são imediatamente reconhecíveis e realizar o seu próprio significado.</br><br />
&#8220;Eu gostaria que as pessoas a caminhar em direção a uma imagem, para ver como ele muda como andam. Pictures significar coisas diferentes em diferentes distâncias. Há sempre micro-narrativas que está sendo jogado &#8220;, explica o fotógrafo escritor Mark Magill, em uma longa entrevista publicada na bomba Magazine. Através de fotografias de Vik Muniz, aprendemos a olhar e pensar sobre o que é a realidade. &#8220;Eu fui chamado um ilusionista&#8221;, diz ele, &#8220;mas eu sempre me uma espécie de torcida realista considerado.&#8221;</br><br />
* Tonica Chagas é um jornalista que escreve para o jornal brasileiro &#8220;O Estado de S. Paulo&#8221;</p>
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